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*** ENTREVISTAS ***
DE ROUPA E SOM NOVOS
Quase duas décadas de estrada, inúmeras hits na bagagem e trabalho duro. Tal combinação valeu ao Roupa Nova uma carreira estável e publico fiel. Mas Paulinho, Ricardo Feghali, Serginho, Kiko, Cleberson Horst e Nando querem mais. De visual e som repaginados, eles acabam de lançar "Agora Sim" ( Universal Music ), o 15º disco de suas carreiras, onde revisitam seus maiores sucessos do Roupa Nova e mostram composições inéditas. Com um pé na música deste fim de século, mas sem abandonar a veia romântica que o consagrou, o grupo prova que é possível sobreviver aos modismos da indústria fonográfica.
SHOPPING MUSIC - O álbum AGORA SIM! marca a volta do Roupa Nova?
KIKO - Nós nunca fomos (risos)! É engraçado ouvir as pessoas falando em volta. Há dois anos lançamos um disco.... O Roupa Nova sempre esteve na estrada. Nunca nos separamos, nem demos uma pausa no trabalho. A única mudança é que estamos de gravadora nova, a Universal.
- Mas pode-se dizer que esse disco está fazendo um barulho maior do que os últimos?
TODOS - Não queremos parecer injustos ou mal-agradecidos, mas, infelizmente, a nossa antiga gravadora (Continental East-West) não vinha dando a devida atenção ao nosso trabalho, faltou divulgação. Em nosso disco anterior, ATRAVÉS DOS TEMPOS (1997), tivemos a participação do David Gates, do Bread, um músico supertalentoso, e ninguém ficou sabendo. Gravamos um videoclipe maravilhoso juntos e nada... A fita ficou perdida na gaveta da gravadora.
- Como pintou a mudança de casa?
SERGINHO - Recebemos propostas de três gravadoras e optamos pela Universal porque foi a que preencheu melhor nossas expectativas. Queríamos uma gravadora que nos desse a oportunidade de carreira e não apenas mais um disco e estamos muito satisfeitos com o trabalho de divulgação de AGORA SIM!
- A idéia de revisitar antigos sucessos partiu de vocês ou foi sugestão da gravadora?
NANDO - A Universal não impôs nenhuma condição. Na verdade, estávamos ensaiando para gravar um disco ao vivo, com nossos maiores sucessos, só que, de repente, começamos a achar que ficaria muito parecido com o álbum ao vivo que lançamos em meados de 80. Aí, resolvemos dar nova roupagem aos hits, explorar outras sonoridades, mas tudo em estúdio mesmo.
- Os novos arranjos incorporam muitos elementos da música eletrônica. Foi uma tentativa de conquistar um publico mais jovem?
NANDO - Por que não? A partir do momento em que a gente se permite dar uma virada, tudo é válido. De repente, nos demos conta de que estávamos ouvindo flashbacks demais... Passamos a prestar mais atenção nos sons que estão rolando por aí e chegamos a conclusão de que renovar é preciso. Veja o caso da Cher que depois de tantos anos de estrada voltou ás paradas com uma música superdançante... O fã espera de você alguma atitude, seja ela boa ou ruim, só não dá para ficar na mesma.
- Quem é o público do Roupa Nova hoje?
KIKO - Pelo que temos observado nos shows, nosso público é variado. Comparecem os fãs antigos, que nos acompanham desde o início da carreira, e também uma platéia bem mais jovem. Nosso fã-clube, por exemplo, é organizado por meninas que não acompanharam a áurea do Roupa Nova, o que indica que nosso trabalho não está atingindo somente os saudosistas.
- Vocês tem algum contato com os fãs?
SERGINHO - Claro. Todos os e-mails e cartas que recebemos são respondidos pelo Nando ou pelo Ricardo. Antes de entrarmos em estúdio para gravar AGORA SIM!, fizemos uma pequena pesquisa junto aos fãs que acessam nosso site na Internet perguntando quais músicas eles gostariam que fossem regravadas. Foi assim que escolhemos o repertório do disco.
- E quanto a mudança de visual. A roupa desta vez é nova mesmo?
FEGHALI - Sim, todo esse clima de "vamos dar uma virada" acabou nos estimulando a malhar, cuidar melhor da alimentação. Hoje, estamos prestando mais atenção nas roupas, no corte do cabelo, enfim, nos cuidando melhor. Mas sem nenhuma ditadura, todo mundo aqui opina. . .
- A julgar pelas quatro faixas inéditas que integram o novo disco (Agora Sim, Na dor e no Prazer, Quando Bate uma Saudade e Bem Maior) o romantismo continua sendo a tônica do trabalho do Roupa Nova?
PAULINHO - Nunca negamos a veia romântica, mas nosso repertório também traz músicas dançantes. Acontece que as rádios sempre tocam as baladas e as pessoas acabam nos conhecendo por meio destas canções românticas. Não há mal nisso, só que não é uma escolha nossa.
- Como vocês estão vendo a música brasileira hoje?
NANDO - A Música brasileira está numa fase legal, muita gente de talento pintando por aí. Atualmente, quase toda programação das rádios é baseada em grupos e cantores nacionais e isso é ótimo. O único problema são os modismos. O Brasil tem muito essa coisa de "fechar" em cima de um gênero, de superpromover os grupos que estão na moda e esquecer todo o resto.
- Vocês estão encontrando alguma dificuldade nesse sentido?
FEGHALI - Até agora, as coisas estão indo bem. Só que, as vezes, a segmentação deixa um buraco que acaba nos afetando. Existem rádios populares, que tocam axé, pagode, sertanejo e o que mais estiver em voga e as emissoras especializadas em rock, jazz, etc. Falta espaço para grupos como o Roupa Nova, que fazem um som entre o popular e o sofisticado. Mas isso é geral, veja o caso das emissoras de TV: existem canais a cabo, que são para uma parcela pequena da população, e as emissoras convencionais, cuja programação está cada vez mais voltada para o povão. Não há um meio termo.
MUNDO ROUPA NOVA "O MUNDO DE QUEM GOSTA DO ROUPA NOVA"
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