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*** ENTREVISTAS ***
ROUPA NOVA :: UMA CARREIRA SÓLIDA
Com 23 anos de carreira, o Roupa Nova continua a todo vapor. Faz desde shows lotados pelo Brasil afora a produções paralelas do grupo. Em seu estúdio, a banda recebeu Backstage com muita simpatia para falar sobre sua história, equipamentos e muitas outras curiosidades.

A BANDA
Formado por Ricardo Feghali e Cleberson Horsth (teclado e vocal), Nando (baixo e vocal), Serginho (bateria, voz e vocal), Kiko (guitarra e vocal) e Paulinho (percussão, voz e vocal), o Roupa Nova é um dos exemplos de que a qualidade do trabalho é capaz de assegurar por um longo tempo o lugar de uma banda no mercado musical brasileiro.
Vinte e três anos de 'estrada' não é para qualquer um. E o momento atual é uma prova de que essa história plantou belos frutos. "A impressão que a gente tem é de que agora estamos com uma carreira mais reconhecida do que nunca. É um momento muito feliz", afirma Ricardo Feghali. Prova disso é a média mensal de oito shows que o grupo tem feito para um público de cerca de 30 mil pessoas. Ano passado foram 98 apresentações ao todo. "Só tocamos em shows lotados", comenta Feghali.
O grupo lançou o CD Ouro de Minas, com participações de Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Luciana Mello, Sandra de Sá e Zélia Duncan em dois dias de casa lotada no ATL Hall (RJ), além de se apresentar em feiras agropecuárias e em outros locais.

Tudo indica que o Roupa Nova ainda permanecerá durante muito tempo no mercado. Além da constante busca pela superação da performance de cada um e do grande público que acompanha o grupo desde o início, há uma renovação na faixa etária da platéia. "Tem muita garotada, gente nova cantando nossos sucessos e isso é uma satisfação muito grande. É legal saber que mesmo não estando tão na mídia, tocando estourado nas rádios, continuamos lotando os shows e contando com o carinho do público", observa Feghali. A banda tem o selo Roupa Nova, por meio do qual pretende lançar novos talentos.
O grupo atribui o sucesso à qualidade do trabalho que é captado de uma forma verdadeira pelas pessoas. "É notório que, durante todo esse tempo, tentamos fazer uma coisa legal, de qualidade. Isso bate nas pessoas. Músicos profissionais vêm para gravar com a gente e tremem na base, o que é uma bobagem, pois às vezes são melhores músicos do que a gente. Fomos chamados para passar som em eventos para ver o padrão dos restos dos shows, alinhar o P.A para outras bandas. Acho que descobriram o Roupa Nova agora", brinca Feghali.
Mas, apesar do reconhecimento, há um fato inusitado, segundo a banda. O Roupa Nova nunca está entre as bandas de rock citadas por outros artistas. "Jamais pensam na gente, nunca somos exemplo. O cara gravou com a gente, se apaixonou por nós e quando vai para a TV, cita outras bandas que, muitas vezes, nem gravaram com ele. Fazem um álbum sobre rock brasileiro e o Roupa Nova não está incluído", lamenta ele, sem entender por completo a razão. "Acho que a gente tem alguma coisa, talvez uma karma", brinca.

Kiko conta que a jornalista Marília Gabriela, ao gravar um disco, fez questão de que o grupo fizesse um vocal no estilo 'Os Cariocas' na música que gravou com Caetano Veloso. "Li uma reportagem em que ela dizia que fez questão que o Caetano cantasse com ela, mas que o Roupa Nova tinha sido um pedido da gravadora. Acho isso uma babaquice". "É patrulhamento ideológico!", emenda Feghali. Nando acha que a postura dos músicos pode ser a responsável pelo fato. "A gente é meio nu, 'desmaquiado', não temos fantasia de artista, a gente é o que é". Serginho concorda. "Ele vai ao cinema, leva o filho na escola, eu vou ao mercado... a gente não tem essa capa, ninguém namorou nenhuma global".
ESTÚDIO E EQUIPAMENTO
Há 15 anos o Roupa Nova tem seu próprio estúdio, fundado para que os músicos pudessem criar suas próprias demos. "A gente fazia a demo, gravava em quatro canais e ficava uma loucura, todo mundo apaixonado, chorando. Depois, quando íamos passar para a fita grande, não conseguíamos aquela emoção. Isso não era uma regra, mas acontecia bastante. Então, a gente senta aqui dentro, arma a demo e grava para valer", conta Feghali. A possibilidade de utilizar o espaço comercialmente também atraiu a banda. Lá, já gravaram artistas como Tim Maia, Fafá de Belém, Daniel, Paralamas do Sucesso, Xuxa, Alceu Valença e muitos outros.

No início deste ano, o estúdio estava à venda, pois 100% dos trabalhos do grupo estavam fora dele e não havia muitos clientes. Do final do carnaval para cá, o espaço não fechou as portas. Diversas gravações e mixagens acontecem freqüentemente. A mesa Allen & Heath Sigma é o xodó do estúdio. O grupo foi buscá-la em Boston (EUA). "Era uma exposição, havia vários consoles que você podia testar na hora. Ricardo escolheu esta. O detalhe é que ela não era a mais cara, mas é uma mesa muito eficiente, tem um timbre maravilhoso. Para se ter uma idéia, já mixamos fora do Brasil dois trabalhos feitos aqui e os técnicos lá de fora ficaram surpresos com o resultado, que compararam a estúdios de montagem bem mais caros", conta Nando. A máquina Otari MX80 de 2" também é usada freqüentemente. "Em 99% das vezes, gravamos em analógico", contabiliza Nando. "Para mim, o som analógico, da fita de 2" é muito bom. Tem uma compressão de fita, alta freqüência... o grave é mais redondo. Para teclado nem tanto, mas para bateria, voz, guitarra e baixo, eu gosto muito do analógico", complementa Feghali.
Embora o estúdio seja vintage, os músicos também gostam de tecnologia digital. "Para mim, a combinação do analógico e digital é o top. Sempre contamos com a ajuda do Pro Tools, que é maravilhoso." afirma Feghali, que, como outros membros da banda, tem equipamentos modernos em casa. "Muitas vezes, a gente grava fora do nosso estúdio". Segundo Serginho, há muita gente que pensa que o Pro Tools chegou para resolver o problema dos desafinados. "Acham que ele faz o cantor que não canta, cantar. Não concordo. Ele é uma ferramenta que veio se somar ao talento, se o talento é zero não adianta que ele não vai fazer com que a pessoa passe a tê-lo". A crítica é para os que utilizam o autotune, plug in, do Pro Tools. Mas o uso para pequenas correções é aprovado pelos músicos. "Se numa música temos um vocal que é repetido várias vezes, gravamos até ficar bom e colamos o resto por conta do cansaço e para não termos que cantar a mesma coisa 8 vezes, por exemplo. É uma ferramenta a nosso favor", garante Serginho.
Segundo os músicos, há espaço para todas as tecnologias. "Acho que está passando o boom do sequencer digital. Vai chegar uma hora em que cada ferramenta vai ter seu lugar e tudo vai se acomodar", comenta Nando, enumerando as vantagens do digital. "O Pro Tools tem uma vantagem que é formidável, o total recall. Estou mixando um trabalho e tenho um show no fim de semana. Salvo a mixagem, vou tocar e posso recomeçar do mesmo lugar de onde parei. Imagina se eu estou com uma analógica nesta altura? Fazer recall em mesa analógica é meio mentiroso". Feghali explica: "Isso porque os compressores de válvulas, os pré-amplificadores valvulados, não têm marcação digital, é tudo na mão, são coisas antigas e quando se faz o total recall tem que anotar aquela marquinha. E há uma coisa que é até chata no analógico: gravou, esbarrou, apagou, ferrou". Hoje em dia, é muito difícil achar um técnico de estúdio que seja um bom emendador de fita de 2".

Se a 'febre' digital está perdendo força, a tecnologia analógica e o som natural dos instrumentos voltam com vigor. "O produtor Moogie Canazio nos disse que nos Estados Unidos os auxiliares de estúdio estão aprendendo a microfonar bateria, porque antes só se gravava com sampler", conta Serginho. Nando lembra uma brincadeira feita na época que dá a medida certa do uso exagerado do sampler: alguém entra no estúdio, vê uma bateria montada e pergunta - 'vocês ainda estão usando isso?'. "Hoje não é mais assim, é a bateria mesmo, forte", garante. Feghali concorda: "Existe uma volta ao analógico, sem dúvida".
Para todos os shows o grupo leva uma Mixing Console Yamaha GA 32/12 e uma Mackie 1604 VLZ PRO. Os inear são os EW 300 IEM, da Sennheiser, os fones MDR EX70, da Sony e os headset são os WMS 80, da AKG, com micro C420. Nestor Oscar Lemos, técnico de monitor do Roupa Nova, revela que eles optaram por estes equipamentos pela estética, mobilidade e praticidade que eles proporcionam. "Temos ainda a vantagem de o som ser igual em qualquer ambiente.", explica Nestor, acrescentando que os inears escolhidos têm um número de freqüências maior que a marca similar. A agilidade da manutenção para reposição de peças fizeram com que eles adquirissem os headset, da AKG. O Roupa Nova também leva para os espetáculos um DVD Sony 5.1. "Usamos quatro saídas distribuídas em dois canais para base, um canal para voz e um canal para click", enumera Nestor.
MUNDO ROUPA NOVA "O MUNDO DE QUEM GOSTA DO ROUPA NOVA"
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