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*** ENTREVISTAS ***
A NOVA ROUPA DE KIKO - [ 2004 ]
A carreira e as novidades da vida de Kiko, Guitarrista do Roupa Nova
Ele fez seu primeiro baile aos 13 anos de idade, quando teve de enfrentar toda a família para conseguir trabalhar como músico. Por isso, tornou-se profissional muito cedo, sobretudo para provar aos pais que era capaz de se manter sozinho, apenas tocando. Sofreu grande pressão, queria estudar música, no entanto não contou com nenhum auxílio. Quando conseguiu custear os estudos já era profissional. Tocava particamente todos os dias da semana, em apresentações e ensaios.
Com dificuldades para frequentar as aulas, afirmou-se como autodidata. Em 1974, aconteceu um fato que iria modificar sua vida radicalmente. Paulinho, que junto a Kiko e Ricardo Feghali tocava no Los Panchos, passou a ser integrante de um grupo chamado Os Famks. Uma semana depois, Kiko seguiu os passos do amigo e entrou naquela que futuramente se tornaria uma das bandas brasileiras de maior sucesso das décadas de 80/90, o Roupa Nova, qua ainda chegou a gravar dois discos como os Famks.
Tempos depois, durante uma gravação para uma rádio do Rio de Janeiro, o produtor Mariozinha Rocha - após surpreender-se com a qualidade do trabalho instrumental e vocal do grupo - sugeriu que, além de gravarem um disco, deveriam trocar de nome. Segundo Rocha, ele não era comercial e trazia muita confusão, já que muitos o entendiam como "Os Funks" (na verdade, a palavra Famks nada mais era do que a junção das iniciais dos antigos integrantes). O marketing da gravadora sugeriu então Roupa Nova, que indicava algo como uma nova cara, uma nova imagem. (Curiosamente, essa transformação acabou proporcionando ao grupo alguns trabalhos para produtos que na época estavam trocando de rótulo, como o cigarro Hollywood, por exemplo).
Após anos de estrada e várias músicas emplacadas nas paradas de sucesso de todo o país - como "Sapato Velho", "Linda Demais", "Whisky a go-go" e "Dona" - o Roupa Nova passou a ser conhecido como um conjunto comercial, formado por 6 "feras", com canções bem trabalhadas e de fácil assimilação. Hoje, após 34 anos de carreira musical muito bem vividos, durante os quais também participaram de gravações e shows de grandes nomes da música brasileira - entre eles Gal Costa, Roberto Carlos e Fafá de Belém - a banda já conta com 15 discos e lançará ainda este ano um CD e DVD acústicos com seus maiores hits. Acompanhe a seguir a marca registrada de Kiko, guitarrista do Roupa Nova.
Cover Guitarra - Como o grupo se reuniu? De que forma vocês se conheceram?
Kiko - Fomos nos reunindo aos poucos. Mais ou menos em 1970, o Cleberson e o Nando tocavam juntos no Famks. Eu, o Feghali e o Paulinho éramos integrantes do Los Panchos. Em 74, o Paulinho foi chamado para entrar no Famks e, uma semana depois, também fui. Em 76, o Feghali veio e em 78 o Serginho chegou. A gente se conheceu tocando, já havia uma admiração mútua e a vontade de tocar junto. E assim estamos até hoje.
O Roupa Nova já lançou 15 discos. Quais são as diferenças mais notáveis entre um trabalho e outro?
Quando entramos no mercado fomos descobertos pelo nosso trabalho como músicos, não como compositores e, ao longo do tempo, fomos amadurecendo esse lado. A diferença que sinto de disco para disco é a composição mais madura. Todos nós estamos aprendendo juntos e compondo melhor, a cada dia que passa sempre aprendemos um pouco mais.

Durante sua trajetória, a banda já acompanhou diversos artistas. A satisfação é a mesma do que tocar somente com o Roupa Nova? O que é mais difícil?
Quando gravamos com outros artistas aprendemos muito e damos um pouco do nosso som também. É mais difícil agrardar aos outros do que a nós mesmos. Por isso acho que que gravar com outros artistas é mais difícil. Quando é CD do Roupa Nova é mais fácil. E no show então?...É só 3, 4,...e foi!!!
Vocês passaram por dificuldades? Já pensaram em se separar?
Passamos por vários planos econômicos e, consequentemente, por algumas dificuldades. Mas com o Roupa as dificuldades nos unem para que juntos possamos derrotá-las. Separação agora, depois de tantos anos? Acho que não vai rolar.
Durante todos esses anos de carreira, qual foi o fato mais marcante?
Para mim foi em 86/87, 3 dias de casa lotada no Coliseu de Lisboa. Eu vi, na minha frente, várias famílias com três gerações: pais, filhos e netos, curtindo muito o nosso trabalho. Isso marcou muito.
Conte alguma história engraçada ou inusitada que tenha acontecido.

Foi com o Paulinho, coitado. Ele não percebeu que o palco havia quebrado. Um pedaço de uns 80cm afundou porque eu e o Feghali estávamos pulando. Quando chegou a hora do bis, ele veio cantando e afundou no buraco. Ficou metade do corpo dele para fora, como se o palco fosse uma saia enorme. Detathe, os canhões continuaram iluminando ele, que estava todo machucado...
Por que vocês ficaram afastados da mídia durante anos? Quanto tempo ficaram sem gravar?
Nós temos um tempo normal de disco para disco, entre um ano e meio e dois e meio. Agora, a questão de estar fora da mídia não é porque queremos. O CD está pronto, se não tocam o azar é "deles". Nós fazemos em média 100 shows por ano, vendemos em média 100.000 discos. A nossa carreira não ficou nas mãos dos programadores, ela está nas mãos do nosso público, que comparece às apresentações e nos honra com a compra do CD original. Graças a Deus nós fizemos uma carreira.
Quais músicas você mais gostou de compor e que tiveram maior repercussão?
"Linda Demais", "De Volta Pro Futuro" e "A Lenda" (Sandy e Jr.). São as que mais mais gosto e que fizeram mais sucesso.
Você nunca realizou projetos-solo. Por quê?
No Roupa Nova temos muita liberdade para nos expressar. Tenho muitas músicas compostas, vários solos gravados e arranjos. Sendo assim, não sentimos necessidade de fazer trabalhos-solos, pois temos bastante espaço.
Seu modo de tocar mudou durante sua trajetória?
Eu diria que em 1986 dei um salto legal. Fui a Nova York e me deparei com livros, fitas k7, videoaulas, instrumentos e acessórios importantes para um guitarrista. Trouxe tudo que pude e a partir daí tive contato com estudos mais profundos do instrumento. Antes eu só estudava tirando solos e fazendo escalas. Depois desse tempo que fiquei "comendo" os livros, as fitas, os vídeos etc..., acho que meus improvisos e solos ficaram mais legais. Hoje está muito mais fácil para o jovem estudar. Temos boas escolas, ótimos professores e a tecnologia toda a nosso alcance, graças a Deus.

Na sua opinião, qua a importância da técnica?
Sem dúvida tocar é uma soma de técnica e coração. Se o coração pedir uma determinada melodia os dedos têm que corresponder. E velocidade não é tudo. Às vezes, com 7 notas bem espaçadas, um solo pode ficar lindo.
De onde você tira inspiração para compor e como é o seu processo de composição?
A composição não pode ser um sacrifício, tem que ser uma inspiração. Às vezes sento para compor e não sai nada. Outras vezes estou caminhando e vem tudo, corro para casa e pego o violão. Não existe fórmula, é pura inspiração.
E você continua compondo? Tem músicas novas?
Sempre estarei tentando compor. É muito bom ouvir uma música sua tocando no rádio. Sempre tenho algum trabalho novo, porque o violão faz parte da decoração da minha sala, do quarto, do estúdio etc...
Quais guitarristas você mais admira?
Jimi Hendrix, Larry Carlton, Steve Lukather, Paul Gilbert, Steve Vai, Eric Clapton, Santana, Alex Martinho, Eduardo Ardanuy, entre outros. Sou muito eclético. Sendo bom, para mim não importa o estilo.

Vocês vão gravar um CD e DVD acústicos. Conte sobre esse projeto, quando vai ser lançado? Será de composições inéditas?
Pois é, o CD e o DVD terão nossos maiores hits e 3 ou 4 músicas inéditas. Estamos fazendo o repertório, está muito difícil escolher 10 sucessos no meio de mais de 20. Mas com certeza, essa será a nossa próxima turnê.
Vocês pretendem lançar algo inédito em breve?
Inédito acho que só para o ano que vem.
Quais dicas você daria para quem está começando a tocar?
Dedicação e muito estudo, procure ser um bom ouvinte, nunca ache que já sabe tudo. Senão as coisa passam e você fica obsoleto.
Esta entrevista foi concedida a Cristina Judar e publicada na edição nº 112 de Abril de 2004 da Revista Cover Guitarra. Muito obrigado à Samuel por disponibilizar material escrito.
MUNDO ROUPA NOVA "O MUNDO DE QUEM GOSTA DO ROUPA NOVA"
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